segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dora Ferreira da Silva

ÚLTIMO DIA DE UM ANO QUALQUER
Eis a chuva do último dia.
Levados são todos os outros
neste ar de chuva,
mais que o sol, dissipador de imagens.
Mas quem é que tange as cordas de um instrumento
delicadamente desafinado,
sobressaltando objetos sobre a mesa
e a madeira polida?
Há uma nota imprevista: leve pisar de outrora.

A chuva cessa. O ano findou
com seu vestido sóbrio, quase elegante.

[In Poesia Reunida, Rio de Janeiro, Ed. Topbooks, 1999, pp. 264-265]



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