sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

João Luís Barreto Guimarães

FALSA PARTIDA
Ainda estranho o lugar quando acordamos
no revés de já ser outro
o dia
porque espelhas o tempo à janela é
à face de teu rosto que decido
o que vestir.
O vento que molda a praia
é de todas as bandeiras:
há um silêncio talhado à substância do quarto
(o chão de madeira matiza o
frio que força uma fresta)
podia apostar comigo: hoje
de madrugada
um cão ladrou na voz do galo.
O meu sobrenome segue-te
pela véspera da casa
(fim de emissão no ecrã
cálices
meio hasteados) a
chuva desistiu de apagar nosso amor embaciado
pelo lado negativo.
Tornas à cama e abres
aquele romance de sempre (o descanso existe
noutro cansaço).

[In Poesia Reunida, Lisboa, Quetzal, 2011, p. 183].

JORGE CABALLERO


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