quinta-feira, 12 de junho de 2014

Boris Pasternak

Ah, se eu antes soubera desta sina,
Quando me preparava para a estreia,
Que há morte nestas linhas, – assassinas!,
como um golpe de sangue na traqueia.
Os folguedos desta busca de avessos
Eu deixaria, inúteis, de uma vez
Já tão remoto o esforço do começo,
Tão temeroso o primeiro interesse.
Mas a velhice é Roma. Não lhe peça
Que venha com estórias de ninar.
Ela exige do ator mais que uma peça,
Uma entrega total, um naufragar.
Quando o verso é um ditado do mais íntimo,
Ele imola um escravo em cena aberta.
E aqui termina a arte, o pano fecha,
Ao respirar da terra e do destino.
(1932)

[Tradução de Boris Schnaiderman e Haroldo de Campos]


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