sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Emily Dickinson

Ha algo mais calmo do que o sono
Neste quarto sem luz.
Ele usa um ramo sobre o peito -
E seu nome não diz.

Vêm uns tocá-lo, outros o beijam
Tomam-lhe a fria mão -
No aspecto dele eu não entendo
A calma introspecção.

No lugar deles não chorava -
Como é feio gemer!
Pode assustar seres do bosque
E fazê-los voltar!

Enquanto os bons vizinhos falam
Do “Jovem no caixão” -
Dada a perífrases, observo
Que as Aves já se vão.

[In A branca voz da solidão, tradução de José Lira, São Paulo: Iluminuras, 2011, p. 97]

Por Picasso

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