domingo, 18 de janeiro de 2015

Leandro Rodrigues

POEMAS DE LEANDRO RODRIGUES

A LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA
A lua refletida no lago
Uma índia vem e com um dedo
                                [a conquista
Muito antes dos americanos.


HAICAI A VIOLETA PARRA
Estranho o teu canto
Tua voz dissonante
Teu falsete em pranto

ORBITAL
O menino abriu
o livro
Lá estavam as palavras

Os olhos do menino
se abriram
incandescentes - Sol

E tantos outros planetas
já gravitavam
em torno dele.

POEMA PARA A MINHA MORTE
Senhora, abreviarás a madrugada
e em meu corpo o nada:
Uma tristeza que se esqueceu

Virás assim, nua, numa nudez pálida
Nenhuma carta, nenhuma explicação
Apenas o nada.

Senhora, me procurarás, sei
Quando eu menos esperar, estarás
Em frente ao espelho, sem retoques, nem maquiagem

Nenhum não, nenhuma rusga, nenhuma elegia
Apenas tu, Senhora, sem aparência,
                                                nem nostalgia.


A VALSA DOS MORTOS

As nuvens cinzas passam
a tarde é comovida
               - consumida.

São Paulo - Mário de Andrade
e suas avenidas.

a morte é um anúncio na tv
dois homens de bigode e paletós
                         conversam na tarde

Chove!
São Paulo: comoções, aparentes.

O Vazio. Do Trianon à Praça Clóvis
Vazio absoluto.
Nem todos os subúrbios,
todas as misérias pedintes
        preencherão tal vazio.
              (absoluto!)

Do projeto interminável,
os escombros de uma noite,
de um dia que não se fez
(esquecido na memória
ou na ladeira da saudade)

PSICOGRAMA
O poeta finge.
A mulher finge.
Fingem as palavras.
Fingimos-nos todos.
Todos fingidos anônimos marchamos:
para o cadafalso do fingimento
onde a corda balança
ao gosto do vento 
                             -  fingido.

RELÓGIOS ANTIGOS
Dizem que antigamente
quando morria alguém na casa,
paravam os ponteiros do relógio
naquela hora,
Naquele minuto-instante.

E assim permaneciam
dias, semanas...
Como guardando intactos
o momento crucial.

Então, uma  boa mão mais velha
acertava os ponteiros.
E o tempo voltava a correr
irrestrito-incondicional.

Belos relógios antigos,
não apenas contavam as horas, mas
demarcavam o tempo e as existências.


SOBRE O AUTOR:
Leandro Rodrigues, nasceu em 06/01/1976 em Osasco-SP, onde ainda hoje reside. Formado em Letras - Pós-Graduado em Literatura Contemporânea. Professor de Literatura Brasileira. Leciona Língua Portuguesa e Literatura em Osasco – SP.
Poemas publicados em sites e Revistas:
http://revistacult.uol.com.br/home/2013/09/a-golpes-de-martelo/

http://www.vidraguas.com.br/leandro-rodrigues-soneto-ao-cavaleiro-da-triste-figura/
entre outros;
É colaborador do site Zona Da Palavra:
http://zonadapalavra.wordpress.com/2014/02/09/poemas-de-leandro-rodrigues/
Páginas do autor:

http://www.recantodasletras.com.br/autores/leandrorodrigues
http://www.nauseaconcreta.blogspot.com.br/
Autor do livro Digital: A T O N A L OU DAS DISTÂNCIAS DA APRENDIZAGEM CINZA, em:
http://www.nauseaconcreta.blogspot.com.br

1915 - Avenida Paulista. A direita na foto entrada do Parque Trianon - Pinterest

 

 



Um comentário:

Leandro Rodrigues disse...

Belíssima foto da Avenida Paulista de 1915. Ainda resistem o Parque do Trianon e a Casa das Rosas, para quem gosta de poesia, dois lugares obrigatórios em São Paulo.