quinta-feira, 28 de maio de 2015

Gérard de Nerval

DÉLFICA

Ultima Cumaei venit jam carminis aetas.

Tu a conheces, Dafne, esta antiga romança,
Do sicômoro aos pés, sob os louros pendentes,
Sob a oliveira, o mirto e os salgueiros trementes,
Esta canção de amor que além sempre se lança?...

Reconheces o TEMPLO onde a cornija avança,
E os amargos limões onde entravam teus dentes,
E a caverna fatal a hóspedes imprudentes
Onde o dragão vencido esconde a íntima herança?...

Eles retornarão, os Deuses que tu choras!
O tempo recriará a ordem das velhas horas;
De um profético sopro o chão foi sacudido...

Enquanto isso a sibila de rosto latino
Ainda dorme por sob o arco de Constantino:
— E nada perturbou o Pórtico esquecido.

[In Alexei Bueno, Cinco Séculos de Poesia, Rio de Janeiro, Ed. Record Ltda., 2012, p. 77]

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