domingo, 16 de agosto de 2015

José Tolentino Mendonça

A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração.


Nenhum comentário:

Kabir

KABIR Eu disse, à criatura sedenta dentro de mim, que rio é esse que desejas atravessar? Não há viajantes na estrada que leva ao rio, e ...