sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Eugénio de Andrade

MEDITERRÂNEO
Como no poema de Whitman um rapazito
aproximou-se e perguntou-me: O que é a erva
Entre o seu olhar e o meu o ar doía.
À sombra de outras tardes eu falava-lhe
das abelhas e dos cardos rente à terra. 

MADRIGAL MELANCÓLICO
Raramente lá vou, mas sempre
que passo na cidade, junto ao rio,
é o jardim que procuro primeiro,
onde o amigo colheu há tantos anos,
para me dar, a flor da canforeira.
Coimbra é ainda essa flor,
e na memória que bem que cheira.

[In Escrita da Terra, Poesia e Prosa (1940-1979), Imprensa Nacional Casa da Moeda, Vila da Maia, 1980, pp. 246-247]. 


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