sábado, 28 de novembro de 2015

Leonam Cunha

V

Ela é o veneno
Que eu escolhi
Para morrer sem sentir.
Noel Rosa
Acender-te-ei,

Em chamas que consomem a si,
Pelos teus seios de luas caladas

Mas que falam,
E ensandecem,
Feito os olhos nossos

Tragar-te-ei,
Para não usar de sinônimo,
Fumando-te por inteiro

Encher-me-ei de ti.
E ainda serás meu antídoto

VIII

Beber de teus poros
A água que brota feito gêiser
Do poço escuro que conservas
Em ti

Salgados como todos os lábios.
Crioulos, ou sem melanina.
O sal é tempero de ti

Morde-me com dentes fartos.
Teus olhos: bocas de baleia.
Engolem-me aos cardumes.
Entrançam as minhas pernas -
Caio sobre o tablado

Posso me levantar,
Carregando o mundo
Sobre meus ombros.
E um anjo pendurado ao braço,
Enquanto arrasto a duras penas
Um caído.

IX

Dai-nos, deuses,
O gozo.
Fazei-nos lembrar
Do gosto,
Da pulsação,
                      vital

Devorem-nos: pensamento,
Carne, perfuração, perjuro,
                               bênção.
A filosofia de tu e eu jogados
                                ao chão.

[In Dissonante, Sarau das Letras, Mossoró (RN), 2014]










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