quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vladímir Maiakovski

A ti, que cheiras a incenso, cortarei
daqui até ao Alasca!

Deixem-me!

Não me detenham!
Certo
ou errado
        não posso ficar calmo.
        Olhem —
        decapitaram mais estrelas
        e ensanguentaram o céu como um matadouro!

Eh, tu!
Ó céu!
Tira o chapéu!
Que vou a passar eu!

Silêncio!

         O Universo dorme
com a enorme orelha
cheia de estrelas
sobre a pata.

(1914/1915)

(In Poetas Russos, trad. e prólogo de Manuel de Seabra, Relógio D´Água, Lisboa, 1995)



SOBRE Vladímir Maiakovski

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