segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Marianne Moore

SILÊNCIO

Meu pai costumava dizer,
"Pessoas superiores nunca fazem longas visitas,
nem ter que ser apresentadas ao túmulo de Longfellow
ou às flores de vidro de Harvard.
Autoconfiantes como o gato —
que leva a presa à privacidade,
o rabo mole do rato pendurado como
um cadarço em sua boca —
elas às vezes gostam da solidão,
e podem ser privadas de fala
por uma fala que as encantou.
O sentimento mais profundo sempre
se manifesta no silêncio;
não em silêncio, mas em contenção."
Tampouco era insincero em dizer:
"Faça da minha casa sua pousada."
Pousadas não são residências.

(Tradução:  Mariana Basílio)

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